Reunião de Estudo: O Evangelho Segundo o Espiritismo (115)

Ano VIII - 26/08/2012
CAPÍTULO XI - AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
A lei de amor

9. O amor é de essência divina e todos vós, do primeiro ao último, tendes, no fundo
do coração, a centelha desse fogo sagrado. E fato, que já haveis podido comprovar muitas
vezes, este: o homem, por mais abjeto, vil e criminoso que seja, vota a um ente ou a um
objeto qualquer viva e ardente afeição, à prova de tudo quanto tendesse a diminuí-la e que
alcança, não raro, sublimes proporções.
A um ente ou um objeto qualquer, disse eu, porque há entre vós indivíduos que, com
o coração a transbordar de amor, despendem tesouros desse sentimento com animais, plantas
e, até, com coisas materiais: espécies de misantropos que, a se queixarem da Humanidade em
geral e a resistirem ao pendor natural de suas almas, que buscam em torno de si a afeição e a
simpatia, rebaixam a lei de amor à condição de instinto. Entretanto, por mais que façam, não
logram sufocar o gérmen vivaz que Deus lhes depositou nos corações ao criá-los. Esse
gérmen se desenvolve e cresce com a moralidade e a inteligência e, embora comprimido
amiúde pelo egoísmo, torna-se a fonte das santas e doces virtudes que geram as afeições
sinceras e duráveis e ajudam a criatura a transpor o caminho escarpado e árido da existência humana.
Há pessoas a quem repugna a reencarnação, com a idéia de que outros venham a
partilhar das afetuosas simpatias de que são ciosas. Pobres irmãos! o vosso afeto vos torna
egoístas; o vosso amor se restringe a um círculo íntimo de parentes e de amigos, sendo-vos
indiferentes os demais. Pois bem! para praticardes a lei de amor, tal como Deus o entende,
preciso se faz chegueis passo a passo a amar a todos os vossos irmãos indistintamente. A
tarefa é longa e difícil, mas cumprir-se-á: Deus o quer e a lei de amor constitui o primeiro e o
mais importante preceito da vossa nova doutrina, porque é ela que um dia matará o egoísmo,
qualquer que seja a forma sob que se apresente, dado que, além do egoísmo pessoal, há
também o egoísmo de família, de casta, de nacionalidade. Disse Jesus: "Amai o vosso
próximo como a vós mesmos." Ora, qual o limite com relação ao próximo? Será a família, a
seita, a nação? Não; é a Humanidade inteira. Nos mundos superiores, o amor recíproco é que
harmoniza e dirige os Espíritos adiantados que os habitam, e o vosso planeta, destinado a
realizar em breve sensível progresso, verá seus habitantes, em virtude da transformação social
por que passará, a praticar essa lei sublime, reflexo da Divindade.
Os efeitos da lei de amor são o melhoramento moral da raça humana e a felicidade
durante a vida terrestre. Os mais rebeldes e os mais viciosos se reformarão, quando
observarem os benefícios resultantes da prática deste preceito: Não façais aos outros o que
não quiserdes que vos façam: fazei-lhes, ao contrário, todo o bem que vos esteja ao alcance
fazer-lhes.
Não acrediteis na esterilidade e no endurecimento do coração humano; ao amor
verdadeiro, ele, a seu mau grado, cede. E um ímã a que não lhe é possível resistir. O contacto
desse amor vivifica e fecunda os germens que dele existem, em estado latente, nos vossos
corações. A Terra, orbe de provação e de exílio, será então purificada por esse fogo sagrado e
verá praticados na sua superfície a caridade, a humildade, a paciência, o devotamento, a abnegação, a resignação e o sacrifício,
virtudes todas filhas do amor. Não vos canseis, pois, de escutar as palavras de João, o
Evangelista. Como sabeis, quando a enfermidade e a velhice o obrigaram a suspender o curso
de suas prédicas, limitava-se a repetir estas suavíssimas palavras: Meus filhinhos, amai-vos
uns aos outros."
Amados irmãos, aproveitai dessas lições; é difícil o praticá-las, porém, a alma colhe delas
imenso bem. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: "Amai-vos" e vereis a Terra
em breve transformada num Paraíso onde as almas dos justos virão repousar. - Fénelon.
(Bordéus, 1861.)

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